Almoço em Braga para deslocados se sentirem em moradia

Centena famílias ucranianas chegadas há menos de um mês juntaram-se com portugueses para agradecer a quem as acolheu.

Svitlana, ucraniana de Kharkiv, e Luísa, portuguesa de Braga, só souberam da existência uma da outra há tapume de três semanas, mas agora, por justificação da guerra, as duas famílias vivem juntas. Cada uma no seu país estava inscrita na federação de Orientação, o desporto praticado ao ar livre que leva os atletas a velejar entre pontos marcados num planta de orientação. “Quando a guerra começou, contactamos a Federação Ucraniana e mostramos a nossa disponibilidade para receber uma família de atletas. Entramos para um grupo mundial de suporte e acabamos por receber a Svitlana, a filha e a sobrinha”, explicou Luísa.

As duas estiveram oriente sábado no Escola Luso-Internacional de Braga (CLIB), entre portugueses e uma centena de deslocados da Ucrânia, maioritariamente mulheres e crianças, que se reuniram para um almoço convívio. “As pessoas sentem uma enorme gratidão pelas famílias que as receberam e nós estamos muito contentes por os termos cá. O convívio é uma forma de nos conhecermos melhor”, disse ao JN Helena Pina Vaz, diretora do CLIB. E os cheiros e sabores da cozinha ucraniana rapidamente permitiram matar saudades e dar a saber sabores doces e salgados típicos do Leste. “Oriente envolvente permite perceber que as famílias gostam de estar cá e que estão muito contentes por estar num país onde há tranquilidade”, disse Vasyly Bundzyak, padre da Igreja Ortodoxa.

Entre as famílias de protecção e os cidadãos que fugiram à guerra, a termo “refugiados” é substituída por “deslocados”. “Não afastaram a possibilidade de voltar ao seu país e à sua moradia, mas, temporariamente, tiveram que trespassar”, explicou Helena Pina Vaz. É mal se sentem Svitlana Iakymenko, a mulher que era agente imobiliária e que agora está intensivamente a aprender português, a filha Alisa, 15 anos, já frequentar a escola em Braga, e a sobrinha Victoria, 19 anos, estudante universitária. A viagem para Portugal demorou seis dias e levou as três mulheres a viajar a pé, de sege, de comboio e de avião. “Valeu a pena. Todos os dias agradeço a Portugal”, disse Tatiana.

Sopa brilhou no almoço

Borshch, a famosa sopa de beterraba que leva carnes e legumes, foi a estrela do almoço. Tatiana Lukianenko, 53 anos, há 12 anos a viver em Braga, diz que cada família tem a sua própria receita. “A base é sempre músculos de porco, penosa, vaca, batata e beterraba. O sigilo está no refugado que se faz, à segmento, com muita cebola, tomate, cenoura, pimenta, alho e um bocadinho de açúcar e que depois se junta ao cozido”, revelou.


Manadeira: https://www.jn.pt/pais/noticias/braga/braga/almoco-em-braga-para-deslocados-se-sentirem-em-casa-14758006.html