América, quo vadis?

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A política externa dos Estados Unidos da América, que adotou uma política de desengajamento do sistema internacional a partir do primeiro procuração da gestão Obama, encontra-se, uma dez depois, com a invasão da Ucrânia por segmento da Federação Russa, numa encruzilhada sobre uma vez que prosseguir daqui em diante.

O retraimento dos EUA no palco internacional começou a ser ponderado ainda durante a gestão Bush, em seguida o fracasso que tinham sido as invasões tanto do Iraque uma vez que do Afeganistão. Porém, só por volta de 2010 é que a gestão Obama assumiu declaradamente esta posição, sob o lema de “leading from behind” (liderar pela retaguarda). Esta novidade posição de política externa invertia a tendência de várias décadas de intervencionismo ativo por segmento dos norte-americanos um pouco por todo o sistema internacional, com a redução dos meios militares, económicos e diplomáticos que utilizava nos vários teatros onde estava envolvido (em privado no Médio Oriente) para passar a focar-se nas matérias internas, principalmente em seguida o estalar da crise económica de 2008. Esta posição foi visível desde logo pela crescente relutância em enviar novas tropas, e a intenção de retirar a presença americana dos teatros onde se havia envolvido no contexto da “Guerra ao Terror”.

Quando Donald Trump assume as rédeas da Lar Branca em 2017, esta posição de política externa não se altera. Torna-se certamente mais barulhenta, sob slogans de “America First”, e alguma incompetência por vezes cómica na gestão de relações com aliados e em relação a potências rivais, mas as grandes linhas do retraimento mantinham-se intactas: retirar do Iraque e do Afeganistão, fazer com que a União Europeia se tornasse militarmente autossuficiente, e centrar o foco em matérias internas. Em 2021, a novidade gestão de Joe Biden compromete-se nesta agenda externa com bastante estrondo, com a retirada definitiva do Afeganistão em agosto de 2021, já negociado pela gestão anterior, e que, apesar de todas as clivagens e diferenças demonstradas durante o período eleitoral, foi cumprido em toda a sua extensão e sem nunca questionar o contrato.

Se a saída do Afeganistão podia já ter sido um sinal de aviso para as consequências da retirada americana de áreas (para si) não prioritárias, com a quebra de crédito por segmento dos seus aliados, a Guerra na Ucrânia foi mais um golpe na engrenagem desta política externa. A teoria de que a frente europeia estava “estabilizada” acabou por se revelar totalmente errada, e o aparelho militar e político americano acabou por ser apanhado em contramão quando a Federação Russa invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022. O horizonte da política externa americana encontra-se, assim, numa encruzilhada, com uma China mais emergente e capaz de aspirar vir a suceder aos EUA no sistema internacional, e a Rússia numa tentativa de restabelecer e declarar o seu status de grande potência.

A estrada avante dos EUA tem, deste modo, duas grandes vias: uma, onde reafirma a teoria de se retirar de assuntos externos, procurando restabelecer do terremoto político e social que tem vindo a abater-se sobre o país, fazendo uma política de offshore balancing, onde dá meios e esteio a potências regionais (uma vez que a UE e a Índia) que possam rivalizar com potências emergentes, mas sob o risco de isto falhar e Rússia e China continuarem a lucrar poder dentro da ordem internacional; ou, alternativamente, recuperam a posição mais intervencionista que adoptaram desde o pós-guerra, tendo uma maior hipótese, com mais meios e esforços, de sustar o progresso destas potências, mas sob o risco real de um contínuo dissocear do tecido social americano, com uma cada vez maior polarização da política e sociedade americana. Quanto a prognósticos, só o horizonte dirá.

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Manancial: https://observador.pt/opiniao/america-quo-vadis/