Eleição em França: um hexágono de inquietação

colunista jpinto 467

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A primeira volta da eleição presidencial francesa agendada para amanhã, dia 10 de abril, ocorre numa lance particularmente incerta provocada pela invasão russa da Ucrânia. Uma inquietação que, do ponto de vista da União Europeia, se agudizou devido ao resultado da recente eleição na Hungria onde o populismo de Orban esmagou eleitoralmente o conglomerado da oposição. Uma vitória apreciada por Putin tal a rapidez com que deu os parabéns a Orban. Um oferecido passível de, a pequeno prazo, colocar em pretexto a unidade que tem marcado a posição da União Europeia face ao novo impulso expansionista do plutopopulista russo. Alguma coisa que reforça a valor da eleição presidencial em França, um país onde o populismo representa uma prenúncio real.

Ora, a campanha para a primeira volta da eleição mostrou que, ao contrário daquela que constitui a regra em Portugal, a reeleição do Presidente Emmanuel Macron está longe de ser um mero passeio e pode mesmo não se materializar. Uma verdade documentada pelas sondagens e atestada pelas entrevistas e comentários de rua e da qual não é verosímil dissociar a forma porquê Macron lidou com a pandemia e os reflexos na vida francesa da mencionada invasão russa da Ucrânia.

De facto, o alheamento, propositado segundo uns e exagerado para outros, das questões internas, devido à aposta na estratégia de dialogar com Putin no intuito de pôr termo à invasão russa da Ucrânia, levou a uma descida no nível de popularidade do ainda Presidente gaulês. Mais uma vez o oligarca russo apostado em dificultar a vida a Macron, depois de, na campanha para a eleição de 2017, o logo candidato se ter queixado de centenas ou mesmo milhares de ataques informáticos  russos às suas bases de dados e ao sítio solene da campanha e de as edições francesas de  dois meios de (des)informação russos, RT e Sputnik,  o terem apresentando porquê dependente da família Rothschild, um agente dos grandes interesses por detrás do sistema bancário norte-americano ou bravo por um poderoso lobby gay.

Ainda sobre a influência, direta e indireta, de Putin na eleição que amanhã decorrerá em França, diga-se que a sua velha aliada, Marine Le Pen, foi mais arguta e teve em boa conta que nem os aliados são eternos nem os inimigos perpétuos. Daí ter ordenado a ruína do papeleta em que aparecia a dar um aperto de mão a Putin. Um passo necessário para fazer olvidar, tanto quanto verosímil, o suporte de Marine ao referendo na Crimeia ou a sua ida a Moscovo e o empréstimo de nove milhões de dólares que lhe foi outorgado com o suporte implícito do Kremlin. Aliás, o tacitismo Le Peniano contou com a colaboração, obviamente involuntária, de outro candidato populista conotado com a extrema-direita. Na verdade, a simpatia que Eric Zemmour  manifestou relativamente a Putin levou a um clamor de protestos que enfraqueceu a sua posição e reforçou a de Marine Le Pen. Daí que, de contrato com a última sondagem da Ipsos-Sopra Steria para o Le Monde, Zemmour tenha descido para tapume de 9% das intenções de voto enquanto Marine Le Pen subiu para 22,5% e se aproximou de Macron que contabiliza 26,5%.

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Porquê o terceiro lugar parece reservado ao populista insubmisso Jean-Luc Mélenchon, que, malgrado ter logrado uma espécie de união populista de esquerda, unicamente atinge uma percentagem de 17,5%, o cenário de uma segunda volta entre Macron e Marine apresenta-se porquê altamente provável.  Uma revisitação, mais do que uma repetição, da eleição presidencial de 2017, pois existe a possibilidade de não se tratar de um déjá vu.

Assim, a existência de doze candidatos com posições ideológicas tão díspares que vão desde os republicanas aos trotskistas, passando pelos ecologistas, e o peso proeminente de candidatos populistas, ainda que de modalidades diferentes, torna difícil prever a indicação de voto por secção dos dez candidatos que vão permanecer pelo caminho na primeira volta. Tal porquê não é reservado que essa indicação venha a ser seguida pelos eleitores.

Contas para reflexão ulterior. Por agora, unicamente tempo para expressar que aquilo que se vai passar em França não ficará dentro das paredes do hexágono.

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Manadeira: https://observador.pt/opiniao/eleicao-em-franca-um-hexagono-de-inquietacao/