Morreu Salvador Guedes, idoso líder da Sogrape

Salvador da Cunha Guedes, presidente da Sogrape entre 2000 e 2015, morreu na quinta-feira à noite, aos 64 anos, uma “partida precoce” uma vez que lamenta Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota de pêsames publicada nesta sexta-feira no site da Presidência da República.

No site da Sogrape, a família Guedes também deixou uma nota sobre a morte de Salvador Guedes, recordando “um varão de imensa estatura, que ousou sonhar”.

“Hoje prestamos homenagem a Salvador Guedes, idoso CEO da Sogrape, que partiu ontem à noite, aos 64 anos de idade”, lê-se na breve nota intitulada “Salvador Guedes: um exemplo de vida”.

“Salvador era um varão de imensa estatura, que ousou sonhar, um varão que sempre se esforçou por levar a Sogrape a níveis mais elevados, uma empresa à qual dedicou a sua vida mesmo quando confrontado com graves problemas de saúde. Os seus amigos e admiradores, dentro e fora da empresa, recordarão para sempre a sua formalidade, coragem e resiliência. Um verdadeiro exemplo de vida. Obrigado, Salvador.”

Também Marcelo Rebelo de Sousa destaca, na sua mensagem, a história de alguém que “dedicou a sua vida a causas”.

Neto de Fernando Van Zeller Guedes, fundador da vivenda Sogrape em 1942 (e fundador do vinho Mateus), Salvador Guedes chefiou o negócio de vinhos da família até 2015. Nesse ano retirou-se depois de, em 2012, lhe ter sido diagnosticado que sofria de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Trata-se de uma doença neurodegenerativa (tal uma vez que a doença de Alzheimer ou Parkinson) que evolui de forma progressiva e não tem trato.

Aos doentes com ELA é-lhes oferecido geralmente um tempo de vida limitado posteriormente o diagnóstico (três a cinco anos), mas há casos de muito maior longevidade. O investigador norte-americano Stephen Hawking, que morreu em 2018, viveu muro de 50 anos com a doença. Salvador Guedes sobreviveu-lhe dez anos.

Quando se retirou da vida activa, Salvador manteve um gabinete na empresa mas entregou a liderança ao irmão, Fernando da Cunha Guedes, gestor com o mesmo nome do avô e do pai, que também era Fernando e tinha tomado as rédeas do negócio em 1950, conduzindo-o até passar o poder ao rebento Salvador, em 2000.

Depois da reforma por motivo de doença, Salvador Guedes empenhou-se no lançamento da campanha “Todos contra ELA”, um projecto de angariação de fundos que reverteriam para uma associação que fundou para ajudar outros a lidarem com a doença, a APELA – Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica.

A APELA viria a instalar-se no Núcleo Hospitalar do Conde Ferreira, num espaço oferecido pela Santa Mansão da Misericórdia do Porto. Em Outubro de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa foi ao Porto, a esse espaço, também para condecorar Salvador Guedes com o proporção de comendador da Ordem do Préstimo.

Na profundeza, o Presidente elogiou o varão que “foi sempre (…) denodadamente um combatente solidário, hipotecado em gerar pontos de encontro, estruturas de convergência, traços de congregação de vida com aqueles companheiros de jornada, chamando tantos outros para a faina generalidade”.

Na nota de tarar hoje divulgada, Marcelo evoca agora o varão que “dedicou a sua vida a causas, numa primeira lanço empresarial à razão familiar do vinho, presidindo e desenvolvendo a Sogrape, e numa segunda lanço, à razão da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), fundando a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica”.

Salvador Guedes foi o primeiro membro da terceira geração da família a assumir os destinos da Sogrape. Foi sob o seu comando que se fez a internacionalização do negócio e essa “é a sua maior obra”, recorda a família numa outra mensagem a propósito da saliência de Salvador Guedes com o prémio Prémio Personalidade da 10.ª edição do Prémio Pátrio de Cultura (2021).

“Ao longo da sua liderança, a Sogrape cresceu exponencialmente, tornando-se verdadeiramente global, num caminho que contribuiu para levar o nome de Portugal ainda mais longe”, resume a família.

Em 2020, a Sogrape controlava 1600 hectares de vinha, mais de 30 marcas, incluindo nomes de grande projecção, uma vez que a Mansão Ferreirinha, Porto Ferreira, Sandeman, Offley, Mateus, LAN, entre outras. Tem vinhas em cinco países (Portugal, Espanha, Chile, Argentina e Novidade Zelândia) e está presente em 120 mercados, vendendo em média 150 garrafas por minuto. Naquele ano, segundo dados oficiais, tinha mais de 1100 trabalhadores, um volume de negócios de muro de 250 milhões de euros e lucros de 20 milhões de euros.

Nascente: https://www.publico.pt/2022/04/08/economia/noticia/morreu-salvador-guedes-antigo-lider-sogrape-2001902