Novo livro de Greta Thunberg sobre alterações climáticas é “uma forma de activismo”

É um livro que reúne ensaios de mais de 100 especialistas sobre os impactos inegáveis das alterações climáticas – e do que ainda é verosímil fazer para virar a crise climática. Labareda-se O Livro do Clima, é coordenado pela activista ambiental Greta Thunberg e será publicado esta segunda-feira em Portugal. “O objectivo do livro é mostrar facetas diferentes desta urgência e cruzar diferentes perspectivas”, disse a activista sueca em entrevista com o PÚBLICO, publicada na semana passada.

“Quis gerar uma espécie de referência para pessoas que se queiram envolver mais em questões do clima, mas que não saibam muito por onde iniciar”, explicou Greta Thunberg ao PÚBLICO. Um dos seus propósitos é mostrar aos leitores que os sinais de alerta estão interligados e que as alterações climáticas fazem segmento de uma “crise de sustentabilidade muito maior”. E a obra, diz, é urgente: “A noção de que estamos em contra-relógio passa-nos completamente ao lado.”

A obra começa com a mensagem de que o planeta já aqueceu murado de 1,2 graus em relação aos níveis pré-industriais. E abre com uma citação do Pintura Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que concluiu “ser inequívoco que a influência da espécie humana tem provocado o aquecimento da atmosfera, dos oceanos e dos solos. Têm ocorrido alterações generalizadas, e a um ritmo rápido, na atmosfera, nos oceanos, na criosfera e na biosfera”.

O livro também mostra que alguns países têm uma “maior quota de responsabilidades de emissões” de gases com efeito de estufa do que outros – e também que a maioria da humanidade não tem culpa no cartório, afiança Greta Thunberg no livro, e que as consequências não serão sentidas por igual. “Estamos todos na mesma tempestade, mas não no mesmo paquete”, escreve. O livro foi lançado internacionalmente a 27 de Outubro e chega a Portugal a 7 de Novembro, pela editora Objectiva.

“Uma forma de activismo”

A activista de 19 anos foi catapultada para a reputação depois de ter deliberado faltar às aulas, na Suécia, para fazer “greve pelo clima”. Às sextas-feiras, trocava as aulas e sentava-se em frente ao Parlamento sueco para alertar para a iminência das alterações climáticas. Hoje, continua a fazer essa greve. Além da sua participação em cimeiras climáticas e em encontros de líderes mundiais, Greta Thunberg venceu a primeira edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, foi eleita personalidade do ano da revista Time e foi também nomeada para o Prémio Nobel da Sossego.

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A Cimeira do Clima das Nações Unidas é o ponto mais cumeeira da diplomacia em torno das alterações climáticas, onde os países discutem uma vez que travar as emissões de gases com efeito de estufa que causam o aquecimento global. Levante ano é no Egipto, de 6 a 18 de Novembro. Acompanhe cá a Cimeira do Clima. 

Ainda que refira muitas vezes que a ensino ambiental é um dos primeiros passos para combater a crise climática, Greta Thunberg acredita também que “levante livro não funciona só uma vez que um método de ensino, mas também uma vez que um convocação para a obra”. E o activismo climatológico é um dos caminhos a seguir, defende. “Zero é exagerado pequeno para se iniciar.” Para si, levante livro é uma tentativa de aproveitar o alcance da sua “plataforma” para publicar conhecimento sobre as alterações climáticas. É “uma forma de activismo”.

Para isso, convidou dezenas de especialistas para ortografar sobre as várias facetas deste clima em mudança, almejando ter “vozes diferentes”. Entre os ensaístas que participaram neste livro estão a jornalista Naomi Klein, o climatologista Hans-Otto Portner, a escritora Elizabeth Kolbert, o professor Thomas Piketty, o noticiarista David Wallace-Wells, a activista Sônia Guajajara, a escritora Margaret Atwood (num capítulo sobre “utopias práticas”), o director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus (escreve sobre “a saúde e o clima”).

Além dos testemunhos e dos ensaios de cientistas e activistas, a obra está permeada com notas de Greta Thunberg. E está dividido de modo a revelar o problema climatológico e a apresentar possíveis formas de o resolver: mostra o modo de funcionamento do clima, uma vez que o planeta está a mudar, uma vez que todos somos afectados, as medidas que já foram tomadas e o que ainda é preciso fazer.

A imagem de capote do livro é composta por um gráfico que mostra as “riscas do aquecimento”: cada risca de um ano (desde 1634 a 2021) corresponde à temperatura média global desse mesmo ano: as barras azuis são anos em que se registaram temperaturas mais baixas e as vermelhas correspondem aos anos com temperaturas mais altas.

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Foto

As riscas climáticas para Portugal (desde 1901 a 2021)
Ed Hawkins

O gráfico foi criado pelo observador Ed Hawkins, que é também responsável do IPCC, e mostra o impacto palpável das alterações climáticas. “A austera tira de listas vermelho-escuras na capote demonstra o inconfundível aquecimento rápido do nosso planeta nas décadas recentes”, escreve Ed Hawkins no livro. Do lado mais à esquerda, mais idoso, o gráfico está azul, mais insensível. Quanto mais para a frente, mais avermelhadas estão as riscas.

A activista sueca também publicou juntamente com a família o livro A Nossa Vivenda Está a Chamejar (Editorial Presença, 2019) sobre a forma uma vez que convenceu a família a mudar de estilo de vida e de uma vez que tentou espalhar essa mensagem a nível mundial. Há ainda outro livro em língua inglesa intitulado No One Is Too Small to Make a Difference (Ninguém É Muito para Fazer a Diferença, numa tradução livre), publicado em 2019, que reúne discursos feitos pela activista.

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Natividade: https://www.publico.pt/2022/11/07/azul/noticia/novo-livro-greta-thunberg-alteracoes-climaticas-forma-activismo-2026504