Quatro eurodeputadas do PS abstiveram-se na solução do Parlamento Europeu que declarou Rússia Estado “patrocinador do terrorismo”

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Houve repartição na bancada do PS na hora de declarar a Rússia porquê Estado patrocinador do terrorismo. Quatro eurodeputadas socialistas — Margarida Marques, Maria Manuel Leitão Marques, Isabel Carvalhais e Isabel Santos — abstiveram-se na votação da solução do Parlamento Europeu que classifica a Rússia porquê Estado “patrocinador do terrorismo”. A votação destas quatro socialistas diverge dos cinco colegas de bancada, que votaram em prol — em sintonia com a esmagadora maioria do grupo político a que pertencem (os socialistas europeus, S&D)

Na bancada dos socialistas europeus só houve 12 votos contra e 9 abstenções (quatro portuguesas e cinco de eurodeputados de outros países). Na mesma risca, os dois deputados do Conjunto de Esquerda — José Gusmão e Marisa Matias — também se abstiveram e os dois eurodeputados do PCP (Pimenta Lopes e Sandra Pereira), sem surpresa, votaram contra a solução.

A eurodeputada Margarida Marques disse na enunciação de voto que se absteve por considerar que “alguns princípios e iniciativas políticas que preconiza são bloqueadoras da manutenção de canais diplomáticos que serão essenciais para uma futura solução do conflito.” Para a eurodeputada socialista, a via diplomática tem de “manter-se porquê a mais favorável para um processo de silêncio perenal.”

Margarida Marques diz ainda que a solução introduz “um precedente contra os valores europeus que é o apelo à supressão de liberdade de sentença no espaço europeu”. A eurodeputada destaca, no entanto, que esta posição “não invalida o facto de desaprovar, na sua totalidade, a invasão da Ucrânia pela Rússia”.

Também a eurodeputada Isabel Santos diz na enunciação de voto que esta classificação “arrisca condicionar negativamente o porvir” e que “mistura crimes de guerra que devem ser julgados porquê tal, dentro da moldura definida no quadro do Recta Internacional, e os atos de terrorismo”. Leste, avisa, é “um caminho perigoso que pode colocar em pretexto o devido julgamento dos crimes de guerra” cometidos na Ucrânia.

A solução, continua Isabel Santos, segue a “risca política definida pela direita no Parlamento Europeu com o objetivo de inviabilizar qualquer negociação diplomática.” Tal porquê Margarida Marques, Isabel Santos,destaca que a posição não invalida o facto de “desaprovar violentamente a invasão da Ucrânia” pela Rússia.

Todos os eurodeputados do PPE — incluindo os seis eurodeputados do PSD e o eurodeputado do CDS — votaram em prol da solução. O mesmo aconteceu com os outros cinco eurodeputados do PS.

O Parlamento Europeu acabou por revalidar esta solução, não vinculativa, com 494 votos em prol, 58 contra e 44 abstenções. O texto afirma que o hemiciclo europeu “reconhece a Rússia porquê um Estado patrocinador de terrorismo e porquê um Estado que utiliza meios de terrorismo”.

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Manancial: https://observador.pt/2022/11/23/quatro-eurodeputadas-do-ps-abstiveram-se-na-resolucao-do-parlamento-que-declarou-russia-estado-patrocinador-do-terrorismo-pcp-vota-contra/