“Se a Dacia está satisfeita, se os concessionários estão satisfeitos e se os clientes estão satisfeitos, para quê mudar?”

teste martinet 3 1

.beginning-of-articles p {
background: #f3f3f3;
padding: 20px;
font-size: 16px;
}
body#dark .beginning-of-articles p {
background: #262626;
}

Tem aproximação livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Pertença do Grupo Renault desde 1999, a Dacia é uma verdadeira caixinha de surpresas. Ressurgiu pela mão dos franceses uma vez que um construtor low cost, com veículos que se apoiavam nos preços reduzidos, mas rapidamente se começou a estribar no value for money, onde o preço atingível é tão importante quanto o teor. E esta estratégia funcionou tão muito que, hoje, a marca romena dos franceses vende mais de 800.000 veículos por ano e lidera as vendas europeias no que respeita aos clientes particulares. Tudo isto sem descontos e com uma grande fidelização de clientes.

Um dos principais elementos na gestão da Dacia é Xavier Martinet, que ocupa o lugar de vice-presidente sénior de vendas, marketing e operações, um gaulês que conhecemos desde os tempos em que liderou a Renault Portugal, entre 2013 e 2015.

Em entrevista ao Observador, Martinet explicou a estratégia que elevou a Dacia ao regimento de “penosa dos ovos de ouro” dentro do grupo gaulês, capaz não só de liderar na fidelização de clientes uma vez que, nos dias que correm, de até já conseguir vender a frotistas sem descontos. Tudo isto mantendo-se leal aos concessionários tradicionais (de que muitos construtores querem perfurar mão), com os quais pratica uma política de preços fixos que ajuda a controlar a desvalorização dos usados.

Antes de ser comprada pela Renault, em 1999, a Dacia vendia um coche velho e ultrapassado uma vez que o R12. Partindo dessa base, uma vez que é que foi verosímil fazer com que a marca passasse a ser considerada um cash cow dentro do Grupo Renault, sendo uma das que mais vende a clientes particulares?
Basicamente, apostámos em conceber um padrão de negócio que fosse complementar ao da Renault. Isso levou-nos a utilizar o princípio design to cost, que passa por colocar no veículo tudo o que cliente necessita, mas não mais do que isso, e essa directiva permitiu-nos fazer da Dacia a marca com o melhor teor no value for money do mercado.
Quando lançámos a Dacia, há quase 20 anos, a marca era percebida uma vez que um construtor low cost. Com o tempo, essa percepção evoluiu graças a um sistema industrial altamente eficiente e graças também a um padrão de negócio muito racional no que respeita às vendas e ao marketing, com pouca variedade, o que se traduz por poucos modelos, poucas opções de equipamento e zero de descontos. Foi logo que conseguimos passar de uma marca low cost para um pouco que hoje é verdadeiramente value for money, concentrando-nos naquilo que é precípuo para o cliente. E acreditamos que hoje há muitos clientes que não podem aquiescer a veículos mais caros, ou preferem não o fazer, optando por comprar o coche de que verdadeiramente necessitam. É por isso que a Dacia tem o sucesso que se lhe reconhece, estando perfeitamente alinhada com o tempo em que vivemos. Digo mais: acreditamos que, para a Dacia, o melhor ainda está por vir.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Já falaremos do horizonte. Antes disso, pergunto-lhe se há uma reacção negativa dos clientes aos carros baratos, que acaba por condicionar o desempenho mercantil? Isto porque, quando a Dacia estava focava na estratégia low cost, havia muitas pessoas que não consideravam sequer a possibilidade de comprar um padrão da marca. Reconhece isso?
O low cost no mercado viatura não funciona tão muito uma vez que num resultado do supermercado. Um coche é um pouco muito custoso, sendo o segundo maior investimento de uma família, depois da vivenda. Havia clientes que preferiam não comprar um coche low cost por temerem que isso transmitisse uma imagem de insucesso na vida, optando muitas vezes por comprar um coche usado. A nossa decisão de fazer evoluir a Dacia para veículos value for money alargou a nossa base de clientes. Basta recordar que, em 2010, tapume de 55% dos nossos clientes vinham dos automóveis usados e decidiam comprar um Dacia por ser novo e possuir garantia. Em 2021, oriente valor baixou para exclusivamente 30%, o que significa que muitos mais clientes vinham dos carros novos e passaram a comprar os nossos modelos por gostarem e por acreditarem ser uma boa opção, sem lhes prejudicar a imagem.
Mudar a imagem de um construtor é um processo lento, mas nós conseguimos fazê-lo com sucesso e os novos modelos ajudaram imenso. O novo Sandero e o facelift do Duster tiveram um papel importante, tal uma vez que o Dacia Spring, que provou que nós conseguimos produzir um padrão eléctrico sem romper a promessa com os clientes de ter um veículo com um preço atingível. Temos também o Jogger e, dentro de uns anos, o Bigster, além da novidade identidade do construtor que se vai reflectir na rede de distribuição. Tudo isto leva-nos a ter a certeza que a Dacia vai continuar a crescer.

Manadeira: https://observador.pt/especiais/se-a-dacia-esta-satisfeita-se-os-concessionarios-estao-satisfeitos-e-se-os-clientes-estao-satisfeitos-para-que-mudar/