Timor-Leste/Eleições: Lú-Olo ausente do seu comício em Díli, na reta final da campanha

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O Presidente timorense e candidato presidencial Francisco Guterres Lú-Olo esteve leste domingo ausente do grande comício da campanha em Díli, num encontro com menos militantes que na primeira volta e onde discursaram dirigentes de várias forças políticas.

“O Presidente Lú-Olo estava realmente chocado com as referências que Xanana Gusmão fez à sua figura e eu sugeri que ficasse em moradia”, explicou à Lusa Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), um dos partidos que apoia a recandidatura de Lú-Olo.

“Xanana Gusmão chamou-lhe de quase ignorante. Ele queria vir para responder e eu sugeri que não”, afirmou.

Apesar do menor número de militantes no comício de Díli, Alkatiri mostrou-se esperançado na vitória na segunda volta, marcada para 19 de abril, saudando o base dos três partidos atualmente no Governo, a Fretilin, o Partido Libertação Popular (PLP) e o Kmanek Haburas Unidade Pátrio Timor Oan (KHUNTO).

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“Agora posso proferir que ganhamos. A diferença acabou a partir do momento em que há segunda volta. Eles trabalharam para lucrar na primeira volta porque sabiam que a segunda volta seria complicada para eles. E está a ser complicado para eles”, disse Alkatiri.

Marcante na segunda volta da campanha tem estado a questão dos grupos de artes marciais e artes rituais, com a candidatura do ainda patrão de Estado a fazer váriaa promessas de apoios, incluindo na construção de sedes e locais de treino.

“As artes marciais em qualquer secção do mundo não são identificadas porquê artes violentas. E o que temos que fazer é transformar essas pessoas marginalizadas, marginalizadas por entendimento falso, e mostram que são secção da sociedade, e para isso é preciso que sejam enquadradas”, explicou Alkatiri à Lusa.

No palco esteve ainda o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, que comprometeu o base do seu partido, o PLP, à campanha de Lú-Olo e que voltou a aproveitar o exposição para fazer várias promessas do Governo, que, garante, só poderão ser implementadas se o atual Presidente vencer.

À Lusa disse estar “muito esperançado”, explicando que as promessas visam “inspirar crédito nas pessoas de que leste Governo está determinado em progredir”, em oposição à perspetiva, se Ramos-Horto vencer, da rescisão do parlamento ou queda do Governo.

“E não somos só os três, veja o número de pessoas que arrastamos para se juntar a nós. Comparo isto com 1999, o referendo, isto vai mandar o porvir de Timor-Leste e a segurança política e governativa”, disse.

Um comício muito mais pequeno do que o da primeira volta, no mesmo sítio, e que marca a última grande ação de campanha de Lú-Olo em Díli, antes de outros encontros previstos para Ainaro e Liquiçá e do debate a 13 de abril.

Ausente esteve também José Naimori, o líder sumo do Kmanek Haburas Unidade Pátrio Timor Oan (KHUNTO), o outro partido do Governo, sendo evidente a exiguidade totalidade de bandeiras daquela força política.

Marito Magno, mentor vernáculo do partido, subiu ao palco para explicar que as atenções do KHUNTO se vão concentrar no comício de Ainaro, na segunda-feira, onde espera ter “20 milénio pessoas” e ainda em ações de informação, porta a porta, já a decurso.

O comício começou mais tarde do que o previsto — chegou a estar marcado para as 10:00, depois para as 14:00 e finalmente só arrancou depois das 15:30 –, com a agenda a ser afetada pelas muitas missas de Domingo de Ramos que levaram a população do país às igrejas.

Na tribuna de honra havia mais militantes de outros partidos do que da Fretilin, com intervenções de responsáveis do PLP, KHUNTO, Frente Mudança e Os Verdes.

O responsável da campanha, José Manuel Fernandes, abriu os discursos políticos, apelando ao voto em Lú-Olo que considerou “um candidato vernáculo”, em quem a população “deposita a crédito” de que a segurança política continuará.

“Votar em Lú-Olo significa não estribar o candidato que quer dissolver o parlamento, produzir uma novidade crise em Timor-Leste e provocar eleições antecipadas. Esta é a outra selecção: vamos votar juntos pelo trabalho conjunto com o Governo”, disse.

Depois foi a vez de Taur Matan Ruak, que listou um conjunto de promessas eleitorais que, garante, o Governo vai implementar com o “base de Lú-Olo”.

Prometeu mais quantia para idosos, internet nas escolas, bolsas de estudo para os melhores alunos, cestas básicas para a população, um ’13.º mês’ de 200 dólares para cada família, obras públicas, sedes para as artes marciais e uma novidade secretaria de Estado para os Assuntos dos Trabalhadores no estrangeiro.

“É um bom projecto, mas para isso preciso da vossa ajuda. Temos que seleccionar Lú-Olo”, disse, deixando críticas a José Ramos-Horto, vencedor da primeira volta.

“Se querem uma família potente têm que votar no número 2 [no boletim de voto] porque tem primeira-dama e o número 1 não tem primeira-dama. A família potente tem que ser com os dois. Sem famílias fortes não podemos ter um país potente”, disse.

Oficialmente, na Constituição e leis timorenses, não existe a figura de primeira-dama — em secção por oposição da Fretilin aquando da feitura da Constituição.

A própria mulher de Taur Matan Ruak, Isabel Ferreira, que fez da família uma das suas principais plataformas na primeira volta, quando foi uma das 16 candidaturas concorrentes, já anunciou que apoia José Ramos-Horto na segunda volta.

Taur Matan Ruak referiu-se ainda à “consistência” de Lú-Olo, que sempre foi da Fretilin, ao contrário de José Ramos-Horto que entrou e saiu do partido, criticando a sua anterior Presidência, entre 2007 e 2012, em que “foi o Presidente da corrida de bicicleta”, numa referência ao Tour de Timor, iniciado pelo Nobel da Tranquilidade.

As ações públicas de campanha terminam a 13 de abril, três dias antes do previsto devido à Páscoa, com a votação marcada para 19 de abril.

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Manadeira: https://observador.pt/2022/04/10/timor-leste-eleicoes-lu-olo-ausente-do-seu-comicio-em-dili-na-reta-final-da-campanha/